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Uma grande pesquisa clínica randomizada com 900 casais com causa inexplicada de infertilidade procurou identificar a importância dos principais fatores envolvidos nos resultados dos tratamentos de reprodução assistida, tentando identificar que fatores seriam mais importantes para se ter um bebê em casa.

Neste estudo foi observado que muitos dos fatores comumentes empregados na predição de fertilidade, como índice de massa corpórea (IMC), hormônio anti-mulleriano (AMH), tabagismo e uso de álcool, não foram preditores independentes de fertilidade, além disso houve a confirmação do fator idade como preditor independente de infertilidade mais importante. O fator mais impressionante observado foi a renda familiar, encontrando uma associação entre baixa renda, maior taxa de aborto e menor taxa de gestação. A taxa de abortamento chegou a ser o dobro em casais que tinha renda mais baixa.

Os mecanismos que podem explicar a associação entre disparidade sócio-econômica e problemas de saúde podem ser explicados pelo aumento dos níveis de cortisol (devido ao estresse elevado) e pela baixa densidade óssea (devido à baixa ingesta de cálcio na alimentação).

Combinações de estressores psicogênicos (estresse do dia-a-dia) e metabólicos (má-alimentação) levando à anovulação e amenorreia (ausência de menstruação) têm sido descritos como causas cada vez mais comuns dessas alterações menstruais, podendo levar à infertilidade.  Níveis baixos e crônicos de estresse podem levar a um tempo maior para se atingir uma gravidez e consequentemente à infertilidade. A disparidade de renda pode não ser suficientemente estressante para provocar anovulação completa e amenorréia, porém pode induzir a insuficiência ovariana sutil que é clinicamente difícil de detectar e, assim, levar a um quadro clínico de infertilidade sem causa aparente.

As alterações na função neuroendócrina e metabólica persistem após a concepção e têm o potencial de prejudicar a implantação embrionária, induzir mudanças epigenéticas na placenta e aumentar a probabilidade de perda gestacional.

O estresse ocasionado pela baixa renda é um grande desafio nos tratamentos da infertilidade, sobretudo em países em desenvolvimento, como o nosso. Esse estresse vai desde a estimulação ovariana à escolha da melhor medicação indutora (altos custos envolvidos). É preciso tentar diminuir os fatores estressores envolvidos e os custos dos tratamentos.

O estresse só atrapalha e deve ser fortemente combatido.

Texto escrito pelo Dr. Roberto Didier, médico especialista em Medicina Reprodutiva, Fertibaby Sobral.

Baseado na pesquisa AMIGOS (The Assessment of Multiple Intrauterine Gestations from Ovarian Stimulation), do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Wake Forest School of Medicine, na Carolina do Norte, Estados Unidos.

Fonte: Revista Fertility and Sterility, ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), Junho de 2016.

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